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Depois da eleição
Por Ivânia Vieira

Data: 10/05/2018

Nesta quarta-feira (9) e amanhã (10), serão realizadas as eleições para a direção do Sindicato Nacional de Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), da Associação de Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA) e de membros do Conselho de Representantes da ADUA, biênio 2018-2020. A disputa nacional envolve duas chapas: 1 ­ "ANDES autônoma e de Luta"; e 2 ­ "Renova ANDES". No Amazonas, apenas uma chapa - "ADUA autônoma e democrática", encabeça pelo professor Marcelo Vallina, do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS).

Estão aptos a votar 64.714 professores dos quais 912 são do Amazonas (dados da comissão eleitoral). O número nacional de docentes eleitores neste processo corresponde a sete vezes o total da população do Município de Silves, estimada em 9.211 habitantes; três vezes o da população do Município de Anori (calculada em 20.196); e duas vezes ao do Município de Rio Preto da Eva (com 32.001 habitantes).

É como uma cidade imaginada e diluída nas instituições de ensino superior do País que tem pela frente desafios complexos, um deles o de reanimar a categoria à participação nas lutas dos professores universitários como uma das categorias de trabalhadores envolvida em múltiplas ameaças.

Em nível nacional, as duas chapas concorrentes estão em intensa disputa por votos e carregam com elas o embate em torno de projetos e alianças para além da instituição universidade ou na reinserção desta nas lutas travadas nas ruas, nas periferias econômicas, nas praças e por multidões dos semdireito, das mulheres, dos indígenas, dos negros, das juventudes e população LGBTQIA+.

O pós-eleição exigirá do ANDES SN, seja qual for a chapa vencedora, avançar nas leituras de cenários e tomar decisões capazes de reativar a vida nos ambientes universitários e nos demais espaços públicos pela retomada de ações encarnadas nas ideias de liberdade e de autonomia. O distanciamento construído em torno da função da universidade abriu terreno ao avanço de uma postura conservadora no ambiente universitário e ao silenciamento da universidade diante das grandes questões nacionais, latino-americanas e panamazônicas.

Os ataques feitos às universidades (como ocorreu na UnB, UFSC, Unicamp, UFMG e Unesp) e os projetos governamentais em tramitação são alguns dos sintomas reais da grave situação social brasileira da qual a universidade é parte. E deve assumir a condição de ser. Reconfigurada por modelagens que se apresentam como novas, a universidade é habitada por comunidades (professores, estudantes, técnico-administrativos) que pouco interage.

A reestruturação físico-política propicia o afastamento e dificulta os espaços de diálogo. Romper os núcleos de isolamento, inundar os caminhos de passagens com outros acontecimentos, cultivar a reaproximação de estudantes e professores são parte das tarefas que reclamam realização já. ANDES e ADUA podem ser o sal desta terra maltratada e em permanente agressão.

* Ivânia Vieira é professora da Ufam e articulista de A Crítica. Artigo publicado originalmente em A Crítica, na edição do dia 09 de maio de 2018.
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